Pedra Bruta

Pedra Bruta – Laborioso ofício

Nosso poeta Olavo Bilac em seu poema “Profissão de Fé” demonstra-nos como o ourives transforma a pedra bruta do ouro na escultura de uma flor. De mesmo modo o poeta escreve seu poema:

“Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.[…]”

Por fim, assim como o ourives, o poeta também busca aprimorar seu árduo trabalho de escrita numa obra-prima poética, ao nunca desistir da palavra e de seu potencial de sentidos e combinações. A pedra bruta do ourives, a palavra bruta do poeta, tudo isso ao final de um longo e laborioso caminho resulta o mais belo objeto de ouro ou o poema em sua maior potencialidade poética.

Como seres humanos, não somos apenas o poeta ou o ourives que trabalha, somos também a palavra poética e a pedra bruta a serem lapidadas ao longo do tempo. Nascemos, crescemos e iniciamos nossa caminhada de relacionamentos afetivos como também nossa vida profissional. Com o passar dos anos, começamos a enxergar a vida de forma diferente de como realmente ela nos impõe suas condições.

A princípio, todos buscamos intensamente a melhor forma de encontrar uma carreira profissional que permita atender não só nossas expectativas financeiras mas também que nos dê prazer em desenvolvê-la, assim como procuramos incessantemente pessoas com qualidade ética para abrir nossos horizontes nas decisões importantes que tomamos ao longo da vida.

Ao longo de nossa caminhada, adquirimos conhecimentos e experiências de todos os tipos, tanto pessoais como profissionais, tanto concepções mais gerais que abrangem a todos os seres humanos, quanto específicos do meio em que vivemos. Esses conhecimentos nos acompanham por toda a nossa existência e permeiam as nossas decisões em busca dos objetivos seja profissional seja afetivo.

Dessa maneira, ainda que seja importante buscar os melhores aprendizados nas pessoas com que convivemos, isto é, seus êxitos e conquistas bem como seus insucessos e falhas. Entendemos que mais precioso ao indivíduo é ele viver, por si só, uma vida toda de experiências e relações interpessoais das quais ele pode tirar aprendizados e assim fazer as escolhas adequadas, pois as oportunidades estão sempre diante de nossos olhos, mas é preciso estarmos preparados para vislumbrá-las e desfrutá-las.

Estejamos sempre ávidos com os olhos e ouvidos e de corações e mentes abertos para podermos extrair o máximo de conhecimento que a vida nos proporciona através dos relacionamentos entre nossos amigos, familiares e até mesmo nossos concorrentes. As indecisões e falhas fazem parte desta caminhada e são elas que geram a busca constante pelo aprendizado.

É preciso tempo e maturidade para exercer todas as etapas de nossa vida. A pedra bruta só se torna preciosa com a incessante inquietação de busca de desenvolvimento pessoal e profissional. Não apenas lapidando o nosso trabalho, nossos resultados e nossos relacionamentos, é preciso lapidarmos a nós mesmos. Afinal o que é a vida senão uma pedra bruta a tornar-se preciosa?

Colaborou com este artigo Raissa Fernandes Leandro 

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